Zanine Caldas inaugura nova exposição no Ateliê da artista Tomie Ohtake em São Paulo

Abertura da Exposição: Conheça Zanine Caldas

A nova exposição intitulada “Zanine Caldas: Criação de mundos” foi inaugurada na Casa-ateliê Tomie Ohtake, localizada no Campo Belo, em São Paulo. A mostra, que acontece entre os dias 13 de setembro e 7 de novembro de 2026, é fruto de uma colaboração entre o Ministério da Cultura, o Nubank e o Instituto Tomie Ohtake. Ela homenageia a trajetória do arquiteto e designer José Zanine Caldas, que é amplamente reconhecido por suas inovações e pelo uso de materiais sustentáveis em suas criações.

O curador da exposição, Sabrina Fontenele, elaborou um espaço que destaca a vida e obra de Zanine. A mostra é composta por uma série de móveis, maquetes, documentos, fotos e filmes que ilustram como ele transformou desperdícios em arte, enfatizando a importância da sustentabilidade em sua prática. A iniciativa não só celebra a obra de Zanine, mas também promove um diálogo sobre a relevância da arquitetura consciente na sociedade contemporânea.

Móveis Denúncia: A Arte da Sustentabilidade

Zanine Caldas se destacou por sua abordagem única ao design, criando o que ele chamou de “móveis-denúncia”. Esses objetos são feitos a partir de madeira que, de outra forma, seria descartada, provocando reflexões sobre a devastação das florestas. A exposição enfatiza a função social de seu trabalho, além de sua estética, ao abordar questões ambientais que continuam sendo cruciais para o nosso tempo.

Zanine Caldas

O impacto da obra de Zanine vai além do design, pois ele abraçou a responsabilidade de compartilhar uma mensagem sobre a preservação ambiental. Os móveis-denúncia revelam não apenas a beleza dos materiais recuperados, mas também a urgência de se pensar em soluções sustentáveis para o futuro do planeta.

As Quatro Partes da Exposição: Raiz, Tronco, Abrigo e Horizonte

A exposição é estruturada em quatro núcleos temáticos: Raiz, Tronco, Abrigo e Horizonte. Cada parte reflete um aspecto da vida e do trabalho de Zanine:

  • Raiz: Esta seção explora os primeiros anos de Zanine, sua formação autodidata e suas colaborações com outros grandes arquitetos brasileiros, como Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi. Aqui, fica evidente como sua educação informal moldou sua perspectiva única sobre a arquitetura.
  • Tronco: Focado no uso consciente da madeira, este núcleo revela como Zanine evitava o desperdício e transformava materiais de demolição em peças icônicas de mobiliário. Essa parte ilustra a habilidade técnica do artista e sua conexão com a natureza.
  • Abrigo: Nesta etapa, a exposição traz à tona o talento de Zanine na concepção de moradias que respeitam o ambiente. Ele projetou casas que se integravam ao contexto local, utilizando recursos e saberes tradicionais dos artesãos. Serão apresentadas plantas e fotos de seus projetos ao redor do mundo.
  • Horizonte: O foco aqui é na contribuição de Zanine ao ensino e à pesquisa na área de arquitetura. Esta parte destaca sua atuação como professor e sua ênfase em uma abordagem sustentável e humanizada do ensino, mostrando o impacto que ele teve nas gerações futuras.

A Trajetória de um Autodidata

Um dos aspectos mais fascinantes de Zanine Caldas é sua formação autodidata. Nascido no pequeno município de Belmonte, na Bahia, ele começou a trabalhar com madeira ainda jovem, desenvolvendo um amor pela construção e pelo design. Sua jornada única o levou a aprender através da prática e da observação, em vez de um percurso acadêmico tradicional.

Zanine cultivava um profundo respeito pela experiência e pelo conhecimento dos mestres artesãos e carpinteiros, incorporando essa sabedoria em seu trabalho. Essa conexão com as raízes da prática artesanal não apenas enriqueceu seu próprio estilo, mas também ajudou a preservar técnicas que poderiam se perder com o tempo.

A Valorização dos Materiais e da Experiência Artesanal

A maneira como Zanine utilizava os materiais é um testemunho de sua sensibilidade e compromisso com a sustentabilidade. Ele transformava madeira de demolições e sobras de grandes obras em peças de mobiliário que não só eram funcionais, mas também contavam uma história. Essa reciclagem criativa ajudou a elevar a discussão sobre a reutilização de materiais no design moderno.



A exposição também ilustra como Zanine se baseava na experiência artesanal, valorizando a técnica e o saber-fazer, aspectos que são frequentemente esquecidos na produção em massa contemporânea. Essa valorização do produto artesanal é um chamado à reflexão sobre o consumo e a sustentabilidade, lembrando-nos de que cada peça tem uma história e um significado.

O Legado de Zanine na Arquitetura Brasileira

O legado de Zanine Caldas é imensurável dentro do contexto da arquitetura brasileira. Seu trabalho desafiou convenções e abriu novas possibilidades para a integração de design, funcionalidade e sustentabilidade. Sua abordagem inovadora continua a inspirar estudantes, arquitetos e designers, que veem nele um modelo de como a criatividade pode se unir à responsabilidade social.

A exposição “Zanine Caldas: Criação de mundos” é uma oportunidade de revisitar esse legado e perceber como as ideias do passado ainda reverberam nas obras contemporâneas, promovendo um diálogo entre diferentes gerações de artistas e arquitetos.

A Conexão entre Zanine e Tomie Ohtake

A escolha da Casa-ateliê Tomie Ohtake para sediar a exposição não é casual. O espaço é um símbolo de inovação e colaboração na arte, e promove um diálogo enriquecedor entre a obra de Zanine Caldas e a de Tomie Ohtake. Ambas as figuras se destacaram por suas contribuições significativas às artes e à cultura no Brasil, embora suas obras apresentem diferentes abordagens estéticas.

Para a curadora Sabrina Fontenele, a conexão entre Zanine e Tomie reside em sua experimentação e no trabalho manual. Ambos exploraram o potencial dos materiais que utilizavam e buscaram novos caminhos em suas respectivas práticas artísticas, estabelecendo um elo entre eles que transcende o tempo e o espaço.

Visitas Guiadas e Atividades Interativas

Além da exposição em si, o público é incentivado a participar de diversas atividades interativas. As visitas guiadas ocorrem todos os sábados e domingos, permitindo que os visitantes mergulhem mais profundamente na obra de Zanine. As visitas são oferecidas sem a necessidade de agendamento prévio, em horários determinados.

Além disso, uma série de eventos e palestras está programada durante a duração da exposição. Esses encontros promovem discussões sobre a relação entre arte e arquitetura, abordando temas como técnica, invenção e a interseção entre arte e design. Entre as discussões, destaca-se a participação de renomados especialistas e artistas.

Informações de Acesso e Ingressos

Para aqueles interessados em visitar a exposição, o ingresso custa R$ 50,00. Há descontos especiais para estudantes, idosos e professores, que podem apresentar comprovantes na entrada. Clientes do Nubank também têm direito a um desconto apresentando o cartão. A entrada é gratuita para grupos específicos, como amigos do Instituto Tomie Ohtake, clientes Nubank Ultravioleta, pessoas com deficiência acompanhadas e crianças até 10 anos.

A Casa-ateliê Tomie Ohtake está localizada na Rua Antônio de Macedo Soares, 1800, Campo Belo, São Paulo, e funciona de quinta a domingo, das 10h às 17h, com última entrada às 16h. Os ingressos podem ser adquiridos no site do instituto ou no local, mas é recomendável que as gratuidades sejam solicitadas online antes da visita para garantir acesso.

A Importância Cultural da Exposição

A exposição “Zanine Caldas: Criação de mundos” não é apenas uma celebração da obra de um grande artista, mas também um importante espaço de reflexão sobre a prática arquitetônica e seu impacto na sociedade. Ao destacar a sustentabilidade como um pilar fundamental do design moderno, Zanine nos lembra da responsabilidade que todos temos em relação ao nosso ambiente.

Essa mostra vem em um momento crítico, onde a consciência ambiental é mais relevante do que nunca. O trabalho de Zanine continua a inspirar novas gerações a abraçar uma abordagem responsável e criativa em suas práticas. Assim, a exposição se torna um convite não só para admirar a estética de seu trabalho, mas também para refletir sobre como cada um de nós pode contribuir para um futuro mais sustentável.



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